TUPI-GUARANI – não é uma língua, mas uma família de mais de vinte línguas. Inclui o Tapirapé, o Wayampi, o Kamayurá, o Guarani (com seus dialetos), o Parintintin, o Xetá, o Tupi Antigo, etc. Existem línguas Tupi-Guarani, não o Tupi-Guarani. Dessas, o Tupi Antigo é a que foi estudada primeiro e a que mais influenciou a formação da cultura brasileira.
Segue abaixo uma seleção de palavras que usamos no dia-a-dia que tem origem indígena e nem nos damos conta, e, é claro, seus respectivos significados:
- Abacaxi: Interessante que, embora o abacaxi e o ananás possam ser tipos diferentes de uma mesma fruta, prevaleceu (pelo menos no sul) o nome abacaxi, que não é comum na literatura do Brasil colonial. Comum é "ananá". Mesmo assim, foi traduzido como de origem tupi com o significado de "fruta recendente", ou que cheira. De yá, ou ywa (fruta), e katy (que recende, cheira), mas esse nome pode ter vindo da América Central, embora a fruta (ananá) fosse comum no Brasil.
- Açaí: Pequeno côco amarronzado. Significa fruta que chora, ou seja, de onde sai líquido.
- Bauru: Município pertencente ao estado de São Paulo. Quer dizer ''cesto de frutas'' (‘ybá – fruta, uru – vasilha).
- Biboca: Moradia humilde. Lugar ermo, um cantão no interior, afastado, de difícil acesso. O sujeito que mora numas bibocas. Na verdade nasceu dos significados "grota", "fenda", "buraco", que é o seu significado indígena, das palavras ibi (terra) e oca (a casa indígena).
- Caju: O nome correto seria acajuá, com o significado de "fruta amarela com chifre", de aca (chifre), e juá (fruta amarela). O caju era muito utilizado pelos indígenas para fazer a sua tradicional bebida, o Kauim, também feito de outras frutas, inclusive da mandioca.
- Capenga: Pessoa coxa, manca ou que falta uma perna. Tida como decorrente do Tupi, de cang (osso), e peng (torto). Lembremos que é próprio do Tupi aglutinar as palavras e, com isso, suprimir sílabas na junção.
- Guanabara: Bairro pertencente à cidade do Rio de Janeiro. Significa enseada semelhante ao mar, baía grande.
- Igarapé: "Caminho das canoas", que é de fato a tradução indígena de igara (canoa), e pé (caminho).
- Jururu: Usado na expressão "ele está jururu", triste, e é isso mesmo que quer dizer. É a repetição da palavra boca, juru, como quem está com os cantos da boca caídos, está com dupla boca e, portanto, está triste, acabrunhado, como bem simboliza aquele bonequinho cujo rosto tem o desenho da boca torcido para baixo, que representa o tristonho.
Até a próxima, Jhu Ybotira.
